Como escolher o melhor treinador de HYROX para ti?

Conhecimento, experiência, programação e acompanhamento:
os critérios que realmente devem pesar na escolha de um coach.

Por Hybrid Pursuit

Revisto por: João Almeida

Atleta e HYROX Performance Coach

A resposta curta

Não existe um único treinador ideal para todos

O treinador certo deve combinar conhecimento científico com experiência prática relevante — dois aspetos fundamentais que serão aprofundados ao longo deste artigo — e oferecer um nível de acompanhamento adequado às necessidades e à realidade de cada atleta.

Critérios de escolha

5 sinais de uma preparação bem orientada.

Uma leitura objetiva para comparar método, experiência e acompanhamento sem depender de promessas.

João Almeida prepara-se física e mentalmente antes de uma competição exigente de HYROX.

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Habilitação legal

Com o crescimento das redes sociais, surgiram muitos treinadores cuja autoridade assenta sobretudo na presença digital. Não significa que não tenham conhecimento, mas visibilidade social não é uma habilitação profissional. Existe também a falácia inversa: assumir que alguém com muitos seguidores vive apenas da imagem ou não possui formação adequada.

Em Portugal, quem prescreve e orienta exercício físico deve possuir um título profissional adequado. No contexto do treino híbrido, falamos do título profissional de técnico de exercício físico — TPTEF. Apenas o têm quem tem uma Licenciatura/Mestrado na área de desporto ou um curso de especialista de exercício físico.

Existem excepções de cursos de treinador de desporto específicos para determinada modalidade como por exemplo: Curso de Remo. No entanto treinadores desta modalidade não ficam habilitados automaticamente à prescrição de treino geral ou híbrido. Podem apenas prescrever para remadores. Este é meramente um exemplo. Existem vários cursos deste tipo que não habilitam a prescrição a não ser para a modalidade em questão.

Ainda assim, um diploma é apenas o ponto de partida. Um treinador competente deve demonstrar que sabe estruturar volume, intensidade, progressão e recuperação, explicar as suas decisões e adaptar o plano às necessidades do atleta.
Duas perguntas certas e é fácil confirmar-se a habilitação; depois avalia-se o conhecimento e a competência.

João Almeida, Head Coach da Hybrid Pursuit, explica princípios técnicos durante um curso de treino híbrido.


02

Conhecimento técnico

Um treinador de HYROX deve começar por dominar a vertente de endurance. Melhorar a corrida não significa meramente correr mais ou aumentar o ritmo todas as semanas. É necessário compreender como desenvolver a base aeróbia em zona 2 e como integrar estímulos de linear anaeróbio e VO₂ max em diferentes momentos e proporções ao longo do ciclo.

Além disso, muitos treinos são prescritos tendo em consideração as zonas cardíacas. É verdade que são uma referência importante, mas não devem ser interpretadas de forma cega. É necessário ensinar o atleta a escutar o corpo e a saber interpretar a perceção de esforço, e explicar, por exemplo, que numa zona 2 é suposto ser-se capaz de ter uma conversa com o parceiro, sem ficar sem fôlego. Respeitar o objetivo fisiológico da sessão é frequentemente mais importante do que perseguir um ritmo específico.

Já na vertente de força e movimentos, deve dominar a técnica correta das estações e saber identificar os exercícios acessórios. É essencial compreender que um HYROX não é simplesmente uma corrida de 8km. A corrida é intercalada por oito estações, cada uma com exigências técnicas, musculares e energéticas próprias. Todas devem ser preparadas com seriedade, tal como a capacidade de voltar a correr com qualidade depois de cada esforço.

O verdadeiro conhecimento técnico está na capacidade de combinar corrida, condicionamento e recuperação dentro de uma programação coerente, e não em tratar cada elemento de forma isolada.

Atletas masculinos preparam-se para a partida de uma competição HYROX de alto nível, incluindo João Almeida.


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Experiência competitiva

A ciência é o que orienta as minhas decisões, mas o know how (o saber como) prático é o que determina, para mim, se a ciência está feita para o meu caso ou se não. Partilho várias vezes que, não é necessário ser/ter sido campeão mundial para ser treinador. Saber executar e saber ensinar são competências diferentes. Ainda assim, a experiência em contextos de elevada performance permite compreender problemas que raramente surgem em níveis de menor performance.

Existem questões relacionadas com acumulação de fadiga, recuperação, gestão de ritmo, transições, alimentação, pressão competitiva e dúvidas que só se revelam verdadeiramente depois de muitas horas de treino e competição.
No HYROX, isto inclui perceber como o corpo reage ao voltar à corrida depois de cada estação, quando insistir, quando reduzir a carga e como preparar o atleta para continuar a executar com qualidade sob fadiga.

Esta experiência não tem obrigatoriamente de resultar apenas do percurso pessoal do treinador. Também pode ser construída através de anos a acompanhar atletas em níveis elevados e de resultados consistentes obtidos por esses atletas. No entanto, no caso do HYROX, este cenário suscita dúvidas visto que o desporto nasceu em 2017 - nem há 10 anos. São por isso, raros os exemplos de treinadores que acompanham atletas de elite e não foram outrora atletas de elite eles mesmos.

Na minha opinião brutalmente direta, um treinador cuja experiência se limita a resultados medianos, tanto no seu próprio percurso como no acompanhamento de outros atletas, pode possuir uma boa base teórica, contudo não apresenta evidência prática para orientar um atleta que pretende aproximar-se da excelência.

Por isso, a experiência deve ser avaliada de acordo com o objetivo do atleta. Para preparar uma primeira prova pode não ser necessário procurar um treinador habituado à alta performance. Para alcançar resultados de alto nível, torna-se importante escolher alguém que conheça esse contexto por experiência própria, pelos atletas que acompanhou ou, idealmente, através de ambas.

Existem dores, sacrifícios e aprendizagens que a teoria, por si só, não consegue transmitir. Só quando são vividos em contextos de elevada exigência é que se transformam num conhecimento profundo aplicável à procura da excelência.

Exemplo de programação semanal da Hybrid Pursuit na app Strivee, com sessões leves, intermédias e intensas. Bem como notas de dicas dos coaches.
Briefing de cada treino da semana, em vídeo

Comunicação e Organização


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A que horas recebes o teu plano? É disponibilizado sempre às mesmas horas ou o horário muda todas as semanas? Estas perguntas parecem simples, mas dizem muito sobre a organização de um treinador.

O atleta precisa de previsibilidade para conciliar treino, trabalho e vida pessoal. Por isso, a programação semanal deve ser disponibilizada num horário claro e consistente. Defendo que o atleta deve receber toda a semana pelo menos 24 horas antes do primeiro treino. No meu método aconselho sempre o início do domingo, permitindo que cada pessoa organize antecipadamente a semana.

A organização não termina na entrega do plano de treino. O atleta deve conseguir identificar quais são as sessões leves, intermédias e intensas, perceber onde se concentra a maior carga e antecipar as exigências da semana.

Também deve compreender o objetivo de cada treino. Porque vai dedicar 60 minutos àquela sessão? Que capacidade está a desenvolver? O que deve sentir e quais são os principais pontos de atenção? Um bom treinador fornece contexto para que o atleta treine com intenção. Essa explicação pode surgir através de notas escritas, de um briefing em vídeo ou da combinação dos dois formatos. Eu pessoalmente utilizo ambos, tenho muitos atletas e sei que alguns preferem ler antes do treino, outros aproveitam momentos livres do dia para assistir ao vídeo briefing semanal. O importante é garantir que adotamos um formato consistente e que chegue a todos.

Acompanhamento


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Envias uma mensagem e não recebes resposta? Colocas uma dúvida e esperas cinco dias? Precisas de substituir um exercício, mas não existe flexibilidade? Se estas situações se repetem, está na altura de reavaliar o acompanhamento que estás a receber.

A proximidade é uma das maiores dificuldades da prescrição de treino online. No acompanhamento presencial, o atleta está à frente do treinador: as dúvidas são colocadas e resolvidas no momento. À distância, é necessário criar uma estrutura que garanta que nenhuma questão importante fica esquecida.

Isto não significa que todas as mensagens tenham de ser respondidas imediatamente. O acompanhamento é prestado por pessoas, não por bots ou por um call center. No entanto, deve existir um canal prioritário, um prazo de resposta claro e disponibilidade para fazer adaptações quando estas são realmente necessárias.

No meu método, as dúvidas relacionadas com treino são centralizadas no inbox (caixa de mensagens) da app de treino. É o único canal cujas notificações mantenho sempre ativas no telemóvel, precisamente para priorizar os atletas que confiam o seu tempo e o seu dinheiro no nosso trabalho.

Responder constantemente a vários atletas exige organização e compromisso, mas faz parte do serviço. A minha sugestão é que uma mensagem deve receber resposta num prazo máximo de 12 horas. Se exigimos consistência, responsabilidade e dedicação aos nossos atletas, temos também de saber honrar a exigência que eles depositam em nós.

Experiência aplicada

O método que se verifica na Hybrid Pursuit.

Ao longo da minha carreira como atleta procurei seguir um princípio simples. Quando encontro alguém melhor do que eu, o meu primeiro pensamento é: O que está este atleta a fazer que eu ainda não estou? O que posso estudar, compreender e, se fizer sentido, adaptar ao meu próprio processo?
Parece óbvio, mas nem sempre é assim que atletas e treinadores reagem. Existe uma tendência para justificar imediatamente o sucesso dos outros através de condições que alegadamente não possuímos. Em casos mais extremos, parte-se para a crítica pessoal ou para acusações sem qualquer fundamento, em vez de se estudar aquilo que está efetivamente a produzir resultados.

Uma das maiores limitações no desporto é a falta de humildade para aprender com quem está mais à frente. É mais confortável desvalorizar um resultado do que admitir que existe alguma coisa que ainda não compreendemos.

Na Hybrid Pursuit, procuramos aplicar esta mentalidade à programação: estudar continuamente, analisar os melhores, confrontar teoria com prática e incorporar apenas aquilo que apresenta fundamento e utilidade para os nossos atletas.

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